A música pode ser uma aliada no tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), segundo o pesquisador Gustavo Gattino. Ele afirma que o recurso pode reorganizar o cérebro, melhorar a atenção e diminuir a ansiedade, mas alerta que o uso inadequado pode gerar estresse e agressividade.
O especialista, professor associado da Universidade de Aalborg, na Dinamarca, explica que a música vai além do aspecto lúdico, estruturando o processamento cerebral. Segundo Gattino, a arte temporal ajuda o indivíduo a organizar o foco, melhorando a atenção dividida e a focada. O processamento musical estimula a amígdala, que, ao interpretar o conteúdo como benéfico, libera neurotransmissores como serotonina e dopamina, reduzindo a sobrecarga emocional.
Gattino ressalta que não há estilos musicais universais para o TDAH; a música mais eficaz é aquela que o indivíduo reconhece. Ele aponta que a escuta musical é uma prática baseada em evidências, auxiliando na concentração e no relaxamento. O pesquisador sugere que pais e escolas utilizem a música para criar momentos de êxito e valorização, tanto em crianças quanto em adultos.
O especialista defende políticas públicas para incentivar intervenções não farmacológicas. Ele afirma que, com uso sistemático e orientação profissional, a música pode reduzir a necessidade de medicamentos. Contudo, alerta que músicas com mudanças abruptas ou excesso de estímulos podem se tornar distrações, recomendando que a estrutura musical seja o mais regular e previsível possível.

