O químico Omar Yaghi, laureado com o Prêmio Nobel de Química, deixou o cargo de professor na Universidade da Califórnia em Berkeley e assumiu uma posição na China. Ele irá liderar um instituto na Universidade Tsinghua, em Pequim, focado em acelerar a descoberta de materiais por meio de inteligência artificial.
A transição ocorre em um momento de cortes no financiamento científico nos Estados Unidos e acompanha o aumento dos investimentos chineses em pesquisa. A Universidade Tsinghua realizou uma cerimônia para receber Yaghi, que foi chamado de um dos maiores químicos do mundo pela instituição. O cientista declarou que o novo cargo representa uma oportunidade de “fazer ciência com mais energia, mais intensidade e mais ambição do que nunca”.
Analistas apontam que a China tem expandido seus investimentos em química e ciência de forma geral. Um docente da Universidade da Califórnia em Santa Barbara comentou que a mudança evidencia uma dinâmica crescente entre as nações, afirmando que a China “tem superado os EUA em artigos de química de alto impacto” e investe grandes somas para atrair talentos.
O trabalho de Yaghi foca em estruturas porosas, batizadas de estruturas metal-orgânicas, que podem absorver e armazenar gases. Em 2018, alunos dele demonstraram a capacidade de um captador passivo produzir água potável no deserto de Mojave. Agora, no instituto de Pequim, o foco será o design e a síntese de novos materiais, visando “superar os gargalos de eficiência das abordagens tradicionais de tentativa e erro”.

