O Nordeste brasileiro é a região do país com maior propensão a abalos sísmicos. A condição se deve a uma particularidade geológica: a crosta terrestre sob a Província Borborema é mais fina que a média mundial, o que facilita a movimentação de forças tectônicas.
A espessura da crosta terrestre na área nordestina, que abrange estados como Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, varia entre 30 e 35 quilômetros em alguns pontos. Esse valor é inferior à média global, que ultrapassa os 40 quilômetros. Especialistas atribuem esse adelgaçamento ao processo de estiramento ocorrido durante o período Cretáceo, há cerca de 136 a 65 milhões de anos, quando os continentes se separaram.
O engenheiro de estruturas Marcelo Bianco, professor da Universidade de São Paulo, explicou que a região sofreu um processo de estiramento ligado à abertura do Atlântico. O geofísico Aderson Farias do Nascimento, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, comentou que, em áreas assim, há facilidade de acúmulo de forças que podem desencadear tremores.
O geólogo Marco Moraes detalhou que as tensões na placa Sul-Americana provêm de múltiplas direções. A leste, há uma força de compressão gerada pela dorsal meso-oceânica no Atlântico. Já a oeste, a placa é empurrada pela placa de Nazca, gerando tensões que se dispersam, mas que causam acomodações em falhas.

