A Noruega utiliza a simbologia do guerreiro viking, popularizada em torcidas, como elemento central de sua identidade nacional. Segundo o professor Johnni Langer, essa construção foi impulsionada por uma “filtragem histórica” iniciada no século XIX.
O professor Johnni Langer, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), explica que o heroísmo viking ganhou relevância para a Noruega na tentativa de criar uma identidade moderna, visto que o país não possuía total independência até o século XIX. Essa exaltação ao tema ocorreu em conjunto com Dinamarca e Suécia, impulsionada pela visão romântica do século XIX, quando as nações buscavam projeção militar internacional.
A imagem do guerreiro viking, com elmo de chifres, é um estereótipo criado por artistas românticos. Langer afirma que não há registro de que os capacetes vikings tivessem tais adornos, mas que o chifre representava vigor e poder na época. O termo “viking” descreve uma ação — como comércio ou colonização — e não uma etnia, sendo compartilhado por povos dinamarqueses, suecos e noruegueses.
Além da cultura náutica, que se conecta com a tradição marítima norueguesa, Langer aponta que a Suécia hoje trata o tema com ressalvas. Ele comenta que grupos de extrema direita utilizam o passado viking para agendas contra imigrantes, o que levou o Museu Nacional de Belas-Artes da Suécia a retirar uma obra icônica da reserva técnica.

