O nutricionista Lucas Peralles explica que a fome emocional não se resolve com força de vontade, mas com estratégia para identificar os gatilhos. Ele ensina a diferenciar o desejo por alimentos de uma necessidade física, um ponto central do Método LP aplicado na Clínica Peralles, em São Paulo.
Segundo Peralles, a maioria das dietas falha porque as pessoas não aprendem a reconhecer o motivo pelo qual comem. Ele afirma que “Paciente que usa comida como anestesia precisa de estratégia, não de vergonha”. A fome física se manifesta gradualmente e cessa com a saciedade. Em contraste, a vontade emocional surge abruptamente, direciona-se a alimentos específicos, geralmente doces ou ultraprocessados, e persiste mesmo após a refeição, pois busca alívio, e não nutriente.
O Método LP trabalha a autonomia emocional-alimentar, que é a capacidade de distinguir fome de emoção, desejo de impulso e desconforto de urgência. O especialista alerta que endurecer a dieta diante de episódios emocionais costuma ser contraproducente, pois a restrição aumenta a tensão e fortalece o impulso compulsivo. A chave é identificar o gatilho, como cansaço ou ansiedade, e planejar respostas que não envolvam comida.
O acompanhamento, portanto, vai além do cardápio. O nutricionista ensina que o objetivo não é a perfeição semanal, mas sim encurtar a distância entre o tropeço e a retomada. Um deslize passa a ser um dado informativo sobre os gatilhos pessoais. Contudo, Peralles ressalta que episódios frequentes e com perda de controle podem indicar compulsão alimentar, exigindo acompanhamento de saúde mental.

