O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) alertou que o Brasil corre risco de não ter potência elétrica suficiente para atender à demanda em momentos críticos a partir de 2027. O alerta, baseado no Plano da Operação Energética (PEN), recomenda a realização de leilões anuais de capacidade para garantir a estabilidade do fornecimento.
O documento divulgado pelo ONS analisa a capacidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) e aponta que a oferta de potência, necessária para picos de consumo, é insuficiente, mesmo após as contratações do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026. O LRCap 2026 contratou quase 20 GW por R$ 515 bilhões, mas o PEN indica que essa oferta não suprirá a demanda em cenários de alto consumo.
O risco de desabastecimento cresce em momentos críticos, geralmente no fim da tarde e início da noite, quando o consumo aumenta e a geração eólica e solar apresentam desempenho baixo. O PEN afirma que, sob o aspecto do atendimento de potência, há atenção ao “esgotamento do limite de intercâmbio em momentos críticos, no limite, podendo levar ao não atendimento de ponta caso haja uma combinação de demanda muito elevada e baixa geração eólica”.
O ONS também sinaliza riscos jurídicos ao LRCap 2026. Processos na Justiça Federal e no Tribunal de Contas da União (TCU) questionam os procedimentos do leilão. A retirada das usinas vendedoras do LRCap de 2026 resultaria em violações imediatas de suprimento de energia em todos os subsistemas do país a partir de 2028.

