As negociações para uma Convenção-Quadro da ONU sobre Cooperação Tributária Internacional serão retomadas em 3 de agosto. O processo visa estabelecer regras globais para combater a evasão fiscal de multinacionais, segundo o economista José Antonio Ocampo.
O sistema tributário atual permite que grandes corporações transfiram lucros entre diferentes jurisdições, reduzindo o pagamento de impostos. Como alternativa, Ocampo defende a tributação unitária, um modelo que calcula os lucros das empresas globalmente antes de distribuí-los nos países de operação.
A reforma pode aumentar a arrecadação mundial entre US$ 700 bilhões e US$ 1 trilhão anualmente, além de reduzir perdas por planejamento tributário internacional. O autor também apontou o crescimento da concentração de riqueza, onde o 0,001% mais rico detém patrimônio três vezes maior que a metade mais pobre da humanidade.
A iniciativa da ONU é vista como reação dos países em desenvolvimento às negociações da OCDE. O Brasil, durante sua presidência do G20 em 2024, defendeu a criação de tributação mínima sobre patrimônio de bilionários. O economista criticou a resistência de alguns membros da OCDE e dos Estados Unidos, que abandonaram o debate.

