O Projeto Bússola, iniciativa de estudantes de Psicologia, defende que a orientação profissional deve ser parte do tratamento de Transtorno por Uso de Substâncias. A iniciativa busca superar o estigma social e as lacunas de carreira enfrentadas por pessoas em processo de recuperação.
Segundo Sandro Barros, terapeuta em dependências e graduando em Psicologia, o tratamento de uso de substâncias transcende a abstinência, exigindo o cuidado com a vida social e profissional do indivíduo. Ele afirma que o trabalho devolve estrutura, identidade e pertencimento, funcionando como um fator de proteção contra a recaída.
O projeto argumenta que a lógica comum de esperar a recuperação total antes de buscar emprego não se sustenta na prática clínica. Sem propósito e reconhecimento social, o vazio pode levar ao retorno ao uso de substâncias. A Bússola foca em dar direção, resgatando habilidades e experiências de vida, e auxiliando na elaboração de currículos sem apagar a trajetória do assistido.
Barros comenta que a sociedade precisa de coragem para olhar sem estigma, pois empresas necessitam de profissionais resilientes. Ele explica que orientar profissionalmente é indicar um caminho, afirmando que o processo de recuperação não termina no transtorno.


