O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou em Manágua que não haverá mais eleições no país. O líder da Revolução Sandinista declarou que a proibição do voto visa impedir que a oposição alcance o poder, reforçando o caráter ditatorial do governo.
O anúncio de Ortega escancara a consolidação de um regime familiar na Nicarágua. O líder, que participou da guerrilha de 1979, que inspirou movimentos de esquerda na América Latina, agora impede o pleito. A fala confirma o que a imprensa já apontava: o país retornou a uma ditadura.
O escritor Frei Betto comentou que o projeto revolucionário chegou ao fim. Ele afirmou que Ortega está agindo como Anastasio Somoza, por apego ao poder. O cargo de copresidente, criado no ano passado para a primeira-dama, é citado como exemplo dessa estrutura.
O presidente já havia reescrito a Constituição para se eternizar no poder. Em 2018, o governo ordenou repressão violenta contra protestos, e posteriormente censurou a imprensa e perseguiu opositores e religiosos.


