Daniel Ortega anunciou, neste domingo, 19, que não realizará a eleição presidencial prevista para novembro de 2027 na Nicarágua. A declaração ocorreu em Manágua, durante as comemorações do 47º aniversário da Revolução Sandinista. Ortega afirmou que o ato impedirá o retorno da oposição ao poder, acusando adversários de colaborarem com os Estados Unidos.
O anúncio se insere em um contexto de ampliação do poder do regime. Em fevereiro de 2025, entrou em vigor uma nova Constituição que alterou o mandato presidencial de cinco para seis anos. Essa mudança concentrou competências no Poder Executivo e estabeleceu o cargo de copresidente, ocupado por Rosario Murillo, esposa de Ortega.
O governo também intensificou a repressão contra opositores, jornalistas e membros da Igreja Católica, resultando em prisões e exílios. A relação entre o Brasil e a Nicarágua se deteriorou, após o governo brasileiro tentar intermediar, a pedido do Vaticano, a libertação de um bispo católico preso no país.
Em 2021, Ortega garantiu um novo mandato com 75% dos votos, pleito que recebeu críticas de organismos internacionais, pois ocorreu com adversários presos e sem observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia. Ortega governa a Nicarágua ininterruptamente desde 2007.

