Um estudo publicado na revista npj Biodiversity revelou que, embora 95% das novas espécies de mamíferos descritas entre 1990 e 2025 sejam nativas de países do Sul Global, cerca de 60% dos holótipos — exemplares de referência científica — estão depositados em museus de nações ricas.
A análise, que cobriu 1.116 espécies, demonstrou um desequilíbrio na distribuição das coleções. Mais de 90% dos holótipos armazenados em instituições do Norte Global foram coletados em outros países. Em contraste, no Sul Global, menos de 8% dos exemplares de referência são de espécies coletadas fora do território de depósito.
Os autores afirmam que essa concentração influencia quem tem acesso ao material para pesquisas taxonômicas. O Brasil se destaca como exceção, registrando 133 descobertas no período, das quais 108 tiveram seus holótipos mantidos em instituições nacionais, o que representa mais de 80% do total.
Em outros países megadiversos, o padrão é diferente. Em Madagascar, por exemplo, foram descritas 90 novas espécies, mas apenas 14 tiveram seus holótipos preservados no país. Os pesquisadores observaram que países com maior infraestrutura científica e legislação ambiental estruturada tendem a reter mais coleções.

