O Papa Leão XIV fez um apelo à Europa, neste sábado (4), pedindo mais ações para proteger e integrar migrantes na ilha italiana de Lampedusa. A visita, realizada em um importante ponto de escala da travessia africana, foi uma mensagem direcionada aos líderes europeus e americanos sobre a crise migratória.
O pontífice afirmou que a Europa tem capacidade de lidar com o desafio migratório de forma abrangente. Ele declarou que o continente deve integrar esforços de ajuda imediata a um plano estratégico de longo prazo, visando acolher, proteger, apoiar e integrar os migrantes. O Papa sugeriu que essa ação ocorra simultaneamente ao auxílio a países em desenvolvimento, para que ninguém seja forçado a emigrar.
A visita de Leão ocorreu duas semanas após a União Europeia aprovar novas regras que ampliam os poderes de detenção e criam centros de deportação fora do bloco. O Papa, de 70 anos, iniciou sua estadia rezando nos túmulos sem identificação de vítimas de naufrágios. Ele também conversou com uma família de migrantes perto da “Porta da Europa”, monumento dedicado a quem busca uma vida melhor.
A rota migratória pelo Mediterrâneo central é a mais mortal do mundo, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM). A OIM informou que cerca de 1.330 pessoas morreram ou desapareceram ao tentar realizar o percurso no ano passado. Um porta-voz da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) comentou que a presença do Papa envia uma mensagem clara contra o foco em fronteiras, defendendo a proteção e a responsabilidade compartilhada.

