Pesquisadora Cila Schulman afirmou que os partidos políticos perderam interesse estratégico na disputa presidencial. A falta de candidaturas competitivas decorre, segundo ela, da concentração de recursos e energia das legendas nas eleições para a Câmara dos Deputados e o Senado.
Schulman explicou que a lógica partidária mudou com o fortalecimento do Legislativo no controle do Orçamento e na distribuição de fundos partidário e eleitoral. Ela declarou que os partidos concentram investimentos no tamanho da bancada de deputados federais, pois o Legislativo detém os recursos e toma decisões sobre políticas públicas.
A analista apontou que o quadro gera uma contradição: há eleitores insatisfeitos com os dois polos, mas não existe uma alternativa consolidada para absorver esse descontentamento. A baixa disposição partidária também afeta as negociações de chapas, como ocorreu com um candidato que enfrentava dificuldades para definir vice e atrair partidos do Centrão.
A pesquisadora questionou o engajamento do eleitor sem a mobilização das legendas. Ela comentou que não há discussão de projeto claro entre os principais candidatos, e que o eleitor vota em uma utopia, e não apenas na negação do adversário.

