O Primeiro Comando da Capital (PCC) lidera um ranking de facções com presença nas Américas, segundo estudo do Instituto Igarapé. A organização, formada na década de 1990 em São Paulo, superou grupos como o Comando Vermelho (CV) e os cartéis mexicanos Sinaloa e Jalisco Nueva Generación (CJNG).
O levantamento, intitulado “De Cartéis de Narcotráfico a Redes Criminosas: A Transformação Estrutural do Crime Organizado na América Latina e no Caribe”, aponta que o PCC possui entre 30 mil e 40 mil integrantes e mantém presença na América do Sul, além de conexões na Europa e na África. Robert Muggah, cofundador do Instituto Igarapé, explicou que o ranking avalia a ameaça comparativa das facções, e não como uma classificação absoluta.
Segundo Muggah, o PCC se destaca pela capacidade de operar simultaneamente em diversos mercados e por possuir uma estrutura descentralizada. O grupo expandiu seu modelo de negócio além do tráfico de cocaína, atuando em mineração ilegal, extorsão e lavagem de dinheiro. Investigações indicam que o PCC penetrou no setor de combustíveis, utilizando empresas legítimas para movimentar lucros.
A vice-liderança do ranking é ocupada pelo Comando Vermelho (CV), que conta com 20 mil a 30 mil integrantes. O estudo também lista CJNG, Mara Salvatrucha (MS-13) e Cartel de Sinaloa. A pesquisa indica que o crime organizado na região está em transformação estrutural, diversificando receitas e mantendo conexões operacionais em portos europeus como Roterdã e Hamburgo.

