Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) identificaram a proteína SDC4 como um alvo terapêutico promissor no combate ao câncer. O estudo, publicado em março de 2026, demonstrou que o bloqueio dessa proteína paralisa a divisão celular e elimina o mecanismo de sobrevivência de células tumorais, fator chave na disseminação do câncer.
A proteína SDC4, presente na superfície das células, desempenha um papel crucial na resistência do câncer à morte celular. Em condições normais, ela auxilia na adesão dos tecidos. Contudo, a superexpressão dessa molécula está ligada ao desenvolvimento e à progressão da doença, pois ela protege as células tumorais de um processo natural de autodestruição chamado anoikis.
Os testes laboratoriais, realizados em células de vasos sanguíneos de coelhos, confirmaram a hipótese. Ao silenciar o gene da SDC4, os cientistas observaram que as células perderam características malignas e voltaram ao estado normal. Além disso, o bloqueio da proteína aumentou a produção de p27, um inibidor natural da divisão celular, paralisando a proliferação desordenada.
A professora Carla Cristina Lopes, autora correspondente do artigo, afirmou que a SDC4 pode ser um marcador diagnóstico e um alvo promissor. O grupo investiga agora o potencial do canabidiol (CBD) para modular a expressão da SDC4. Contudo, os resultados ainda precisam ser validados em células humanas para avançar para a aplicabilidade clínica.

