Uma pesquisa realizada pelo Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis) e pela Quaest aponta uma contradição na educação brasileira. De acordo com o estudo, 91% dos adultos defendem a conversa como melhor método, mas 49% dos entrevistados admitem ter dado tapas em crianças.
O levantamento, que ouviu 2.202 brasileiros em 128 municípios entre 29 de maio e 7 de junho de 2026, revela que, embora o diálogo seja a estratégia preferida, a prática diverge. Felipe Nunes, CEO da Quaest, comentou que a naturalização da violência é um ponto de atenção, pois o ato de dar um tapa é mais assumido do que o de gritar.
A legislação brasileira, que inclui a Lei da Palmada de 2014, proíbe castigos físicos e tratamento cruel, como beliscões e palmadas corretivas. Contudo, o estudo indica que 62% dos entrevistados não interviriam ao presenciar agressões em público. Márcia Kalvon, diretora executiva do Infinis, afirmou que há uma lacuna entre o que é considerado correto e o que ocorre na prática.
Houve pequenas melhorias nos comportamentos relatados entre 2023 e 2026. O uso de objetos para bater caiu de 38% para 27%, e o índice de quem admitiu gritar diminuiu de 66% para 62%. No entanto, 47% dos entrevistados consideram aceitáveis castigos que restringem o lazer, e 35% avaliam que é aceitável ameaçar bater.

