Uma pesquisadora obteve a liberação judicial para sua tese de doutorado, que aborda a atuação de assistentes sociais com crianças e adolescentes trans. A decisão veio após o Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) suspender o estudo, questionando a postura pública da autora.
A tese, intitulada “A escuta do assistente social na infância e adolescência e questões de gênero”, investigou como os profissionais lidam com situações de identificação trans na infância. A pesquisadora afirmou que o estudo não visava discutir a existência de crianças trans, mas sim os desafios práticos enfrentados pelos assistentes sociais.
O Comitê de Ética da UFSC suspendeu o trabalho meses antes da conclusão, após receber questionamentos sobre a atuação pública da pesquisadora em uma associação de defesa dos direitos das mulheres. A universidade passou a exigir artigos de opinião e registros de eventos públicos.
A Justiça Federal analisou o caso e concluiu que a UFSC extrapolou a avaliação do protocolo científico ao examinar as posições públicas da pesquisadora. Segundo a decisão, essa postura pode configurar risco de “censura intelectual” e comprometer a liberdade acadêmica. O Ministério Público Federal classificou o procedimento universitário como “inquisitorial”.
A pesquisadora relatou que o episódio levantou um debate sobre o ambiente acadêmico no país, afirmando que o caso demonstra uma “polícia do pensamento” em muitas universidades brasileiras.


