O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) foi adiado pela quarta vez em menos de dois meses, resultado de pressão da Petrobras sobre o governo federal. A reunião, marcada para 8 de julho de 2026, foi remarcada a pedido da Presidência da República, sem motivo oficial divulgado.
A decisão de adiar o encontro partiu da Casa Civil e foi acatada pelo Ministério de Minas e Energia, que preside o colegiado composto por 18 ministérios. O governo justificou o adiamento pela reviravolta na guerra do Oriente Médio, alegando que era preciso recalcular o impacto internacional na estratégia de retirada de intervenções no mercado de combustíveis.
Dois temas aguardam análise do CNPE e impactam a estatal. Um é o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina, de 30% para 32% (E32). Essa medida já foi anunciada publicamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo ministro Alexandre Silveira, e visa reduzir a dependência do país de importações de combustíveis.
O segundo tema é a abertura do mercado de gás natural por meio de leilões organizados pela PPSA. Essa iniciativa, conhecida como Gas Release, busca forçar a Petrobras a ceder volumes de gás e capacidade de transporte para outros agentes, diminuindo a concentração de mercado da estatal, que domina a infraestrutura de escoamento no país.

