A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) avalia que o conflito no Oriente Médio e a previsão de um Super El Niño pressionarão os preços dos alimentos no segundo semestre de 2026. Segundo a entidade, a instabilidade geopolítica e o aquecimento climático podem elevar substancialmente os custos de itens básicos no país.
Marcio Milan, vice-presidente da Abras, afirmou que a guerra entre Estados Unidos e Irã e o El Niño podem impactar toda a cadeia de abastecimento. Desde fevereiro de 2026, as cotações do petróleo Brent e WTI dispararam, chegando a US$ 120 nas primeiras semanas do conflito. Os preços permanecem voláteis devido às incertezas sobre o Estreito de Ormuz, rota de um quinto das exportações mundiais de petróleo.
Outro fator de preocupação é o El Niño, que deve atingir 63% de intensidade neste segundo semestre, segundo análise de colunista de veículos de comunicação. Milan explicou que, caso se concretize, o fenômeno deve elevar os preços de produtos como batata, tomate e cebola. Em maio, a cesta de largo consumo, que inclui 35 produtos básicos, registrou alta de 2,16%, atingindo R$ 854,91.
O feijão liderou os aumentos em maio, com alta de 6,44%, e acumulou 41,09% no ano. O hortifrúti também apresentou forte alta, com batata subindo 44,69% em relação ao mês anterior. Apesar da inflação, o consumo das famílias brasileiras cresceu 3,93% em maio de 2026, impulsionado por fatores como restituição do Imposto de Renda e 13º salário.

