A combinação de alta no preço do petróleo, retomada de tarifas dos Estados Unidos e avanço em investimentos de inteligência artificial reacende preocupações com a inflação global. Os fatores simultâneos geram turbulência nos mercados financeiros, aumentando a cautela dos investidores antes de novas decisões de política monetária.
A escalada de tensões no Oriente Médio impulsionou o preço do petróleo para acima de US$ 100 (R$ 508) por barril, após agravamento do conflito no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho. Paralelamente, o presidente dos Estados Unidos afirmou considerar um “ataque massivo” contra o Irã para forçar negociações de paz. O aumento dos custos energéticos já afeta a renda fixa, com títulos do governo britânico registrando a mais longa sequência de fechamentos acima de 5% em quase vinte anos.
Além da energia, os mercados monitoram a nova rodada de medidas comerciais dos EUA. O governo propôs tarifas entre 10% e 12,5% sobre importações de parceiros comerciais. A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, alertou que a manutenção de preços altos de energia aumenta a probabilidade de impulsionar a inflação geral.
O avanço da inteligência artificial também pressiona custos. A Alphabet elevou sua previsão de investimentos para até US$ 205 bilhões (R$ 1,04 trilhão) neste ano. A capacidade das grandes empresas de repassar custos aos consumidores também é observada, como o aumento de preços de dispositivos da Apple, citado pela empresa devido à escassez de chips.

