A Polícia Federal concluiu que pagamentos feitos à deputada estadual Chiara Biondini, por meio da Conafer, foram utilizados pela cúpula da entidade para pressionar o deputado federal Eros Biondini. A investigação, que não indiciou os parlamentares, revelou que os repasses, que somaram R$ 60 mil entre 2021 e 2022, foram usados como mecanismo de chantagem.
A quebra de sigilo bancário confirmou que Chiara Biondini recebeu pagamentos mensais de R$ 10 mil da Conafer e de Ingrid Pikinskeni, mulher de Cícero Marcelino, apontado como operador do esquema. Mensagens interceptadas entre o presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, e outros dirigentes mostram que eles discutiam internamente os repasses, afirmando que a parlamentar recebeu valores por um ano e meio “sem fazer nada”.
Os comprovantes dos depósitos passaram a ser usados como instrumento de chantagem quando Eros Biondini manifestou apoio à criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar fraudes no INSS. Segundo o relatório, o deputado federal Euclydes Pettersen atuou como intermediário, orientando os investigados a confrontar o colega com os comprovantes.
A investigação também aponta que Eros Biondini destinou uma emenda parlamentar de R$ 5 milhões ao Instituto Terra e Trabalho (ITT), entidade descrita pela PF como “umbilicalmente ligada” à Conafer. Chiara Biondini declarou à PF que foi contratada em 2021 como assessora da presidência, mas relatou que raramente recebia demandas.

