A Polícia Federal indiciou 48 pessoas por suspeita de participação em um esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A operação, denominada Sem Desconto, aponta que descontos indevidos foram aplicados sobre aposentadorias e pensões de beneficiários.
O inquérito aponta que o esquema contou com proteção política e institucional. Entre os indiciados estão o ex-ministro do Trabalho e Previdência do governo Jair Bolsonaro e o deputado federal Euclydes Pettersen. Segundo o relatório final da PF, José Carlos Oliveira, que presidiu o INSS antes de assumir o ministério, teria usado sua posição para garantir a inação da autarquia diante das irregularidades.
Os investigadores afirmam que Oliveira recebeu pelo menos R$ 550 mil em propinas. O ex-ministro foi indiciado por corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro, embora negue as acusações. O deputado federal Pettersen também foi indiciado por suposta recepção de vantagens indevidas para favorecer o grupo junto ao INSS.
A investigação identificou um núcleo responsável por operacionalizar descontos associativos não autorizados. Entidades firmavam acordos com o INSS para descontar mensalidades diretamente dos pagamentos, desviando recursos para empresas de fachada e operadores financeiros. O relatório foi enviado ao Ministério Público Federal para análise sobre eventual denúncia à Justiça.

