A Polícia Federal investiga possível atuação coordenada do Itaú e do Santander para omitir operações financeiras da Americanas durante auditorias. A decisão judicial, da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, cita mensagens trocadas entre executivos dos bancos e o ex-diretor financeiro da varejista.
A investigação aponta indícios de que os bancos emitiram cartas de circularização sem informar operações de risco contratadas pela Americanas. Nesse tipo de operação, a instituição financeira antecipa pagamentos a fornecedores, e a empresa passa a dever o valor ao banco. O Ministério Público Federal afirmou que essa omissão permitiu esconder parte do endividamento da companhia da auditoria externa e do mercado.
A decisão judicial reproduz diálogos em que a Americanas solicitou a um executivo do Itaú a retirada de informações das cartas enviadas aos auditores. Em outra conversa, a varejista afirmou que o Santander só faria a alteração se o Itaú adotasse a mesma medida. A magistrada considerou que os diálogos indicam possível atuação coordenada entre as instituições.
O Itaú declarou que sofreu perdas bilionárias com a fraude e que recusou pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar as cartas de circularização. O Santander também disse ser vítima das fraudes e afirmou que realizar operações bancárias com a empresa não implica participação nas irregularidades investigadas.

