A Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) moveu três ações judiciais contra a Master Corretora e gestoras de fundos de investimento. As medidas visam apurar um prejuízo de R$ 641,4 milhões no Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência), que administra a previdência de servidores públicos.
O rombo ocorreu em recursos públicos aplicados em fundos administrados pelo conglomerado Master, que atualmente passa por liquidação extrajudicial. As ações protocoladas pela PGE-RJ concentram-se em aportes feitos pelo Rioprevidência em dois fundos ligados ao Grupo Master, denominados Revolution e Texas I FIA, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A PGE-RJ afirma que o prejuízo no Texas I FIA está ligado a uma “compra coordenada” de ações da Ambipar. Segundo o órgão, entre julho e agosto de 2024, a gestora Trustee DTVM teria adquirido os papéis, elevando artificialmente os preços. A procuradoria declarou que “O Rioprevidência foi vítima de uma armadilha arquitetada pela administração e pela gestão do Texas I FIA, que vendeu ao ente público quotas de um fundo lastreado em uma ação desprovida de fundamento”.
Em relação ao Revolution, a PGE-RJ apontou mudanças no regulamento do fundo que afetaram os cotistas, incluindo o Rioprevidência, que detém 10,7% do fundo. Tais mudanças envolveram a renúncia a direitos de voto e a elevação do prazo de amortização do investimento em 48 meses. A PGE-RJ solicitou o bloqueio de ativos e a indisponibilidade de bens dos réus.
Documentos da Polícia Federal (PF) enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) indicam que os investimentos acumularam perdas de até 90% e renderam abaixo da caderneta de poupança. A PF classificou as operações como um “almanaque de irregularidades”, alegando ausência de análises técnicas e concentração excessiva de risco.

