O plano de reconstrução da Faixa de Gaza, promovido pelo Conselho da Paz, foi drasticamente reduzido de uma proposta que visava a recuperação total do território palestino para um projeto-piloto em Rafah. A iniciativa, que prevê um acampamento temporário para parte dos cerca de 2 milhões de deslocados, enfrenta obstáculos logísticos e políticos.
O projeto experimental prevê a instalação de um acampamento temporário no sul de Gaza, administrado por uma estrutura palestina e com apoio de uma força internacional de estabilização. Apesar de avanços logísticos, como a chegada de oficiais estrangeiros a Israel, as obras ainda não começaram. Fontes envolvidas no planejamento afirmam que o progresso significativo é improvável antes das eleições israelenses de 27 de outubro.
Diplomatas ocidentais acreditam que a continuidade do projeto depende do cenário político em Israel. Há receio de que o primeiro-ministro amplie a ofensiva militar antes da votação, o que poderia inviabilizar a iniciativa reduzida. O plano original prometia restaurar infraestrutura essencial em cerca de cem dias, mas as negociações se concentraram apenas em Rafah, considerado insuficiente por críticos.
Outro entrave é o financiamento. Dos cerca de US$ 17 bilhões inicialmente prometidos, apenas uma pequena parcela foi disponibilizada. Autoridades palestinas alertam que soluções pontuais não substituem um plano abrangente para a reconstrução e para a busca de uma solução política duradoura para o conflito.

