Policiais militares foram condenados pelo Tribunal de Justiça Militar por tortura após câmeras corporais flagra um agente simulando execução com revólver contra um jovem durante operação na Zona Leste de São Paulo. O caso, ocorrido em fevereiro de 2025, teve as imagens reveladas recentemente e aponta para abuso de autoridade.
As gravações, obtidas pela Corregedoria da PM, mostram que um agente apontou a arma contra a cabeça e o pescoço de um jovem, realizando uma “roleta-russa” em um corredor estreito. Segundo o Ministério Público Militar, a conduta configurou tortura mediante grave ameaça, pois os adolescentes foram submetidos a sofrimento físico e psicológico para obter informações sobre tráfico de drogas e facções criminosas.
O Tribunal de Justiça Militar condenou um sargento a 12 anos e cinco meses de prisão pelos crimes de tortura, abuso de autoridade, fraude processual e peculato. Outro policial condenado recebeu pena de quatro anos e dez meses por tortura e abuso de autoridade. A investigação também apontou que os agentes ingressaram em residências sem mandados judiciais, encontrando drogas em algumas casas.
Investigadores notaram que os policiais demonstravam conhecimento de que estavam sendo gravados, com alguns tentando esconder ou desviar o enquadramento da câmera. A tecnologia de gravação contínua, chamada Recall, preservou as imagens, permitindo a reconstrução do deslocamento e a identificação da participação individual dos envolvidos.

