O prazo final para o governo dos Estados Unidos definir a imposição de novas tarifas punitivas contra o Brasil encerra-se em 15 de julho. A medida, conduzida pela Seção 301, propõe sobretaxas de 25% sobre produtos brasileiros, podendo afetar cerca de US$ 14,9 bilhões em itens como madeira, etanol, ferro e granito.
O economista Igor Lucena, doutor em Relações Internacionais, explicou que a estratégia americana mudou após a Suprema Corte dos Estados Unidos limitar o uso do argumento de segurança nacional. Segundo Lucena, a Casa Branca passou a usar os mecanismos da Seção 301 para dar respaldo legal às sobretaxas, selecionando os produtos de forma mais criteriosa.
O especialista comentou que itens como café, suco de laranja, algumas carnes e autopeças foram excluídos da lista para evitar impactos diretos na inflação e no consumidor americano. Contudo, Lucena avalia que setores da economia americana ainda serão afetados, pois muitas indústrias dependem de insumos brasileiros. Ele considera estratégica a mobilização de empresas americanas contrárias às sobretaxas, que alertam para o aumento de custos de produção.
Lucena afirmou que a pressão dessas companhias pode influenciar a decisão final da Casa Branca, especialmente devido à influência política junto ao Congresso americano. Sobre os argumentos usados pelos EUA, o economista disse que parte tem fundamento econômico, enquanto outras são predominantemente políticas, citando o sistema de pagamentos Pix como exemplo de crítica de concorrência desleal.

