As prefeituras brasileiras receberam cerca de 20% a mais em emendas parlamentares em 2026, totalizando R$ 26,5 bilhões até o início de julho. O montante, que representa 77,6% dos R$ 34,2 bilhões pagos no ano, fortalece o caixa municipal e amplia a capacidade de articulação política local.
O aumento nos repasses foi motivado pela decisão do Congresso de obrigar o governo a antecipar parte das emendas impositivas antes do período de restrições eleitorais. Os recursos direcionados aos municípios são cruciais, especialmente em cidades do Amapá, onde as emendas representam mais de 80% dos fundos federais de saúde.
A saúde foi o principal beneficiário, concentrando aproximadamente 65% das verbas. Além disso, R$ 3,2 bilhões foram destinados a Estados e ao Distrito Federal, e R$ 1,8 bilhão a organizações não governamentais (ONGs). Dados mostram que parlamentares priorizaram ações de retorno imediato, como mutirões de castração de animais, financiados por emendas no Ministério do Meio Ambiente.
Em termos de disputa política, o tema das emendas está no centro de investigações. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou o bloqueio de bens de um presidente de partido político e de um ex-deputado por suspeita de negociação irregular de recursos.

