A diferença no custo do crédito entre Brasil e Estados Unidos reside na organização do financiamento produtivo, e não apenas na taxa básica de juros. Enquanto o sistema americano oferece múltiplas fontes de capital, o Brasil concentra o financiamento no crédito bancário.
Economistas definem a profundidade financeira pela diversidade de caminhos para financiar investimentos. Nos Estados Unidos, uma empresa pode acessar bancos, emitir títulos privados ou captar recursos de fundos especializados. No Brasil, embora existam alternativas como debêntures e FIDCs, o banco permanece como a principal porta de entrada para muitas pequenas e médias empresas.
Essa concentração é o ponto central da análise. Em economias financeiramente profundas, a concorrência entre diferentes formas de financiamento disciplina o sistema. No Brasil, a concorrência é menor, o que faz com que alterações na política monetária repercutam de forma mais intensa sobre a produção e o emprego.
O sistema financeiro envolve quatro mercados integrados: monetário, dívida pública, crédito e capitais. Nos EUA, esses mercados compartilham o financiamento. No Brasil, o crédito bancário exerce um papel muito mais dominante, o que torna a arquitetura institucional mais concentrada e sensível às decisões do Banco Central.

