A Colossal Biosciences, empresa americana de biotecnologia, anunciou novos avanços em seu projeto para recriar o dodô, ave extinta no século XVII. A iniciativa, que já captou mais de US$ 555 milhões, prevê o nascimento do primeiro exemplar em um cronograma de cinco a sete anos.
O dodô, espécie não voadora endêmica das Ilhas Maurício, desapareceu após a chegada de colonizadores europeus, vítima de caça e destruição de habitat. Diferentemente dos mamíferos, aves não podem ser clonadas por transferência de embriões tradicionais. Por isso, os pesquisadores trabalham com células germinativas primordiais, retiradas do pombo-de-nicobar, considerado o parente vivo mais próximo da ave extinta.
As células são editadas geneticamente para incorporar características do dodô e inseridas em galinhas geneticamente modificadas, que funcionam como hospedeiras. Em maio deste ano, a empresa divulgou um sistema de “ovo artificial” que permitiu incubar aves fora da casca natural, resultando no nascimento de 26 pintinhos saudáveis. Essa tecnologia pode ser aplicada ao dodô e ao moa-gigante.
Apesar do progresso, a comunidade científica pede cautela, pois os resultados ainda não foram integralmente publicados em revistas revisadas por pares. Pesquisadores independentes afirmam que o animal obtido será uma ave moderna modificada, e não uma cópia genética perfeita. A Colossal argumenta que as ferramentas desenvolvidas beneficiarão a conservação de espécies ameaçadas, como mamute-lanoso e tigre-da-Tasmânia.

