Queimadas e grandes incêndios em áreas naturais da Amazônia elevam internações por causas respiratórias em 23% e cardiovasculares em 21% em todo o Brasil, alertam cientistas. A revisão de literatura, publicada esta semana, aponta que a poluição do ar gerada por incêndios florestais contribui para mortes prematuras no país.
A análise, conduzida por pesquisadores do Projeto de Saúde Única e Meio Ambiente da Universidade Federal de Goiás (UFG), revisou 108 artigos científicos entre 1986 e 2023. Foram identificados 41 desfechos de saúde ligados à perda de floresta e às queimadas, incluindo doenças respiratórias, cardiovasculares e mortes precoces. Segundo um dos autores, a visão sobre o impacto na saúde ainda é fragmentada, mas o dano direto ao brasileiro é evidente.
Em dias de picos de incêndio, definidos como “ondas de incêndio”, os percentuais de internação aumentam significativamente. No nível nacional, o salto é de 23% em internações respiratórias e 21% em cardiovasculares. Na Região Norte, os índices são maiores, atingindo 38% e 27%, respectivamente. O estudo também calculou que cada quilo adicional de material particulado MP2,5 na Amazônia gera 21 novos casos de doenças respiratórias ou cardiovasculares na região.
Os pesquisadores identificaram falhas nas políticas públicas, como fiscalização insuficiente por órgãos ambientais e descoordenação entre esferas de governo. Os autores afirmam a necessidade urgente de modelos analíticos integrados e políticas multissetoriais, pois a fumaça poluente atravessa fronteiras, afetando sistemas de saúde em escala nacional.

