Um ranking de 33 poetas de Goiás, produzido pela Eureka Comunicação, gerou controvérsia ao aplicar metodologia automatizada. O estudo posicionou Afonso Félix de Sousa no topo, seguido por Gilberto Mendonça Teles e Cora Coralina em terceiro lugar. Especialistas da literatura goiana debatem os limites da tecnologia em julgamentos estéticos.
A ferramenta de ranqueamento opera com um algoritmo em Python, que rastreia a internet e repositórios públicos. O sistema cruza dados como frequência de publicação, circulação editorial, presença em estudos acadêmicos e prêmios. Contudo, os entrevistados apontaram fragilidades, como a desigualdade na documentação, que pode subavaliar autores de circulação restrita.
Lêda Selma, presidente da Academia Goiana de Letras (AGL), declarou que o método baseado em inteligência artificial possui erros. Ela afirmou: “Algumas pesquisas de IA informam que eu tenho 14 livros publicados, mas eu já tenho 21 livros publicados”. O editor Carlos Willian Leite concordou com o recorte geral, mas ressaltou que a importância histórica de Cora Coralina não deve ser confundida com superioridade poética estrita.
Ademir Luiz da Silva, dirigente da União Brasileira de Escritores de Goiás (UBE-GO), ponderou que toda lista é imperfeita, seja feita por humanos ou por IA. Ele admitiu que alteraria a ordem, preferindo Gilberto Mendonça Teles em primeiro lugar, mas reconheceu que tal escolha carrega subjetividade humana.

