A redução de aerossóis, partículas suspensas no ar que ajudam a resfriar o planeta, está acelerando o aquecimento global. Esse fenômeno paradoxal, decorrente do combate à poluição, intensifica o aquecimento, pois o efeito resfriador das partículas diminui frente ao potencial aquecedor dos gases-estufa.
O painel de cientistas do clima da ONU (IPCC) aponta que, para cada 3°C de aquecimento causado pelo dióxido de carbono (CO2), os aerossóis oferecem um resfriamento de 1°C. Essa dinâmica geoquímica resulta na elevação da temperatura geral. Além da queima de combustíveis fósseis, aerossóis provêm fontes diversas, como erupções vulcânicas, poeira do solo e incêndios florestais.
O combate à poluição de matéria particulada é urgente por razões de saúde pública, visto que os aerossóis são nocivos ao sistema respiratório. Segundo o físico Paulo Artaxo, professor da Universidade Federal de São Paulo, a diminuição dos aerossóis por programas de redução de emissões está reduzindo o efeito de resfriamento. Há hipótese de que o aquecimento acelerado verificado entre 2023 e 2025 possa estar ligado a essa redução.
Cientistas também apontam a complexidade na modelagem climática. Estela Monteiro, do centro de pesquisas Geomar, na Alemanha, explicou que é fundamental considerar a localização da emissão de aerossóis, pois o efeito local difere do aquecimento global do CO2. Além disso, a redução de aerossóis implica menos núcleos de condensação de nuvens, o que contribui para uma pequena queda de cerca de 1% na cobertura de nuvens global.

