Pequenas empresas brasileiras dos setores de calçados e vestuário podem ter dificuldade em acessar os benefícios tarifários do acordo Mercosul-UE. A dificuldade reside nas regras de origem dos produtos e na necessidade de adaptação produtiva, segundo um especialista em comércio exterior.
Mais de dois meses após a vigência provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, fabricantes desses setores enfrentam obstáculos. O especialista Ronaldo Félix, sócio da Saygo Comex, afirmou que o uso de insumos importados, principalmente da Ásia, pode impedir o enquadramento dos produtos nas condições previstas no acordo.
Félix explicou que o percentual de insumos de fora do bloco varia conforme a mercadoria, citando um limite de 30% em alguns casos. Empresas que ultrapassam esse percentual ficam fora dos benefícios tarifários. Além disso, as companhias precisam obter certificações e adaptar processos produtivos, pois a redução de tarifas não garante a ampliação da participação no comércio com o bloco.
Para mitigar os custos iniciais, as pequenas empresas podem recorrer a tradings ou atuar como fornecedoras de empresas maiores, que assumem a operação comercial. O especialista defendeu linhas de crédito com prazos mais longos para financiar essas mudanças. Para as PMEs, os resultados do acordo podem levar de um a três anos para se concretizar.


