Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, demonstra a polarização política do estado, com antigos eleitores do PT aderindo ao bolsonarismo. A cidade, que foi reduto petista, viu sua base eleitoral mudar drasticamente desde 2018, segundo dados e análises de especialistas.
O cenário de conversão política é visível no comércio local, onde comerciantes relatam mudanças de apoio. Um vendedor de peças de vestuário, que votou em Lula em 2002, afirmou que a estratégia do PT é manipuladora e declarou que votará em quem for indicado por um aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em outubro.
Especialistas apontam a Operação Lava Jato como fator decisivo na mudança. O ex-prefeito Washington Reis (MDB) disse que o Rio perdeu sua liderança política integrada após a Lava Jato, permitindo que o bolsonarismo capturasse um ativo político órfão. A cientista política Mayra Goulart (Lappcom) complementou que o combo de problemas políticos e econômicos afetou a esquerda, abrindo espaço para a extrema-direita.
O prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), avaliou que a perda de hegemonia petista se deu pela ausência de alianças locais fortes. Ele citou que o PT só obteve maioria no estado após alianças com o brizolismo e o PMDB. Contudo, a redução da vantagem petista se acentuou em 2018, quando o líder do PL obteve 32% dos votos válidos em Fernando Haddad (PT) no Rio de Janeiro, contra 45% em todo o país.

