A saúde mental de empreendedores é um fator crucial para a gestão de crises, pois o comportamento diante de adversidades é influenciado por experiências de vida anteriores, e não apenas pelo momento atual do negócio. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que o Brasil registrou 472.328 afastamentos por transtornos mentais em 2024, o maior número da série histórica do INSS.
Pesquisas indicam que o grupo de empreendedores é altamente vulnerável. Uma pesquisa da Endeavor Brasil e BID Lab, que ouviu 118 fundadores, revelou que 94,1% enfrentaram condições adversas de saúde mental. Ansiedade foi relatada por 85,6% dos participantes, seguida por burnout (37%), ataques de pânico (22%) e depressão (21%).
A médica Beatriz Zaramella explica que a reação a crises empresariais envolve o funcionamento cerebral e os mecanismos emocionais construídos ao longo da vida. Ela afirma que “situações de estresse precoce podem deixar alterações duradouras na forma como o cérebro interpreta ameaças e regula as emoções”.
Esse mecanismo explica comportamentos comuns no ambiente de negócios, como dificuldade em demitir ou impulsividade nas decisões. A especialista comenta que “nem toda reação intensa é falta de preparo ou incompetência”. O impacto do líder sobre a equipe também é citado, pois um líder sobrecarregado transmite insegurança.

