Empresas e entidades do setor de saúde ocupacional defendem a atribuição da responsabilidade técnica de programas às organizações, e não apenas aos médicos. A proposta visa fortalecer a governança corporativa e acompanhar a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), em vigor desde 2025.
Especialistas avaliam que reconhecer a empresa como responsável técnica confere maior estabilidade aos programas de saúde ocupacional, pois a estrutura organizacional permanece ativa mesmo com a troca de profissionais. Nesse formato, o profissional de medicina atua como diretor ou coordenador, mas a responsabilidade regulatória passa a ter caráter institucional, o que pode reduzir processos administrativos.
A Associação de Gestão em Saúde e Segurança Ocupacional (AGSSO) defende a mudança como uma evolução do modelo nacional. O presidente eleito da entidade, César Augusto Ciongoli, afirmou que a proposta adequa a responsabilidade à realidade operacional. Ele disse que “As empresas possuem estrutura permanente para garantir a continuidade dos programas de saúde ocupacional, enquanto os profissionais podem ser substituídos ao longo do tempo.”
Dados de pesquisas recentes apoiam a discussão. O estudo Pulso RH 2025, realizado pela Alice e pela Beneficência Portuguesa de São Paulo, indicou que 70% dos trabalhadores de organizações com investimento estruturado em bem-estar classificam sua saúde como “boa” ou “ótima”. O mesmo levantamento mostrou que 65% dos gestores apontam a burocracia como obstáculo para a efetividade dos programas.

