O setor brasileiro de etanol de milho defendeu em audiência pública em Washington que eventuais medidas comerciais dos Estados Unidos não afetarão consumidores americanos. A União Nacional do Etanol de Milho (Unem) apresentou argumentos técnicos, alegando que a tarifa brasileira é de nação mais favorecida e que o Brasil é um fornecedor ocidental capaz de suprir a demanda.
A diretora da Unem, Andréa Veríssimo, afirmou que a audiência sobre a investigação da Seção 301 ocorreu em tom técnico e profissional. Segundo ela, a estratégia de defesa focou em demonstrar que setores americanos dependem de produtos brasileiros. O objetivo, segundo a diretora, é atender ao pedido do USTR de apresentar argumentos que favoreçam a economia dos Estados Unidos.
Os representantes americanos alegam que as exportações de etanol americano para o Brasil caíram desde 2017 e criticam a tarifa brasileira de 18% e as regras do RenovaBio. A Unem contestou, dizendo que a tarifa não é específica contra os EUA, mas sim uma alíquota de nação mais favorecida. Além disso, a diretora explicou que o RenovaBio não impõe barreiras direcionadas a empresas americanas.
A diretora também informou que a alegação de que a tarifa impede o acesso do etanol americano ao mercado nacional não procede. Ela disse que, nos quatro primeiros meses deste ano, o Brasil importou mais etanol dos Estados Unidos do que em todo o ano anterior. O setor reforçou ainda que, caso os EUA tarifem produtos brasileiros, a alternativa de fornecimento poderia ser a China, o que reforça a importância do Brasil como fornecedor democrático.

