Representantes do setor produtivo, do mercado financeiro e de associações de produtos temem que o discurso do senador Flávio Bolsonaro motive novas medidas tarifárias da Casa Branca dos Estados Unidos. A preocupação surge após o USTR sugerir uma tarifa de 25% às exportações brasileiras em julho passado.
O temor do setor privado se concentra na possível repercussão do discurso do pré-candidato à Presidência. O mercado avalia as falas como “político”, “frustrante”, “eleitoreiro” e “marqueteiro”, e considera que tal conteúdo não deve influenciar o USTR, um órgão de caráter técnico. A ausência de membros do governo em Washington intensificou essa apreensão, visto que o Planalto enviou apenas observadores.
Os participantes das audiências públicas relataram decepção com a falta de menção a setores mais afetados e aos impactos econômicos para os dois países, algo que representantes de associações abordaram durante os dois dias de reunião. Outros membros do setor produtivo afirmaram não esperar mudanças vindas do senador.
Em relação ao impacto eleitoral, os presentes nas audiências consideraram que o senador perdeu a chance de se apresentar como um “estadista”. Eles afirmaram que a participação do senador foi negativa para sua candidatura, falhando em responder às críticas de governistas sobre a responsabilidade das tarifas americanas contra o Brasil.

