O sindicalismo brasileiro necessita de reinvenção, segundo análise de Marcos Verlaine, para enfrentar as transformações do capitalismo digital e a fragmentação do trabalho. O desafio ultrapassa a mera reconstrução de estruturas passadas, exigindo uma mudança na prática sindical para organizar a classe trabalhadora contemporânea.
Um dos autores do debate reforça o papel histórico dos sindicatos como defesa da democracia e da justiça social, citando a trajetória desde o início do século 20 até a Constituição de 1988. Contudo, a contribuição de outro especialista aponta cinco ‘misérias’ no movimento atual: burocratização, corporativismo setorial, sindicalismo de negócios, despolitização ideológica e captura da subjetividade pelo capital.
A crise sindical não é apenas resultado de ofensivas patronais, mas também de adaptações internas do próprio movimento às novas formas de acumulação capitalista. O mundo do trabalho mudou drasticamente: o emprego está disperso em plataformas digitais, teletrabalho e economia sob demanda, o que torna obsoletas estruturas desenhadas para um modelo de trabalho anterior.
Para superar essas dificuldades, a reinvenção deve focar na democracia participativa e na quebra de fronteiras setoriais. O dirigente sindical do século 21 precisa dominar a comunicação digital e a economia política, atuando como organizador, negociador e formador político, e não apenas como gestor de interesses imediatos.


