O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a abrir um inquérito para investigar suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo Fábio Luís Lula da Silva. A apuração visa esclarecer se o filho do presidente atuou para favorecer o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes em negócios ligados ao mercado de cannabis medicinal no governo federal.
A Polícia Federal pretende verificar se o filho do presidente ofereceu acesso a autoridades e servidores do Ministério da Saúde e do Palácio do Planalto, e se houve pagamentos em troca dessa possível atuação. A investigação foi desmembrada do caso da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em cobranças de aposentadorias e pensões do INSS. Inicialmente, o nome de Fábio Luís Lula da Silva surgiu na apuração de fraudes, mas os investigadores concluíram que as suspeitas de atuação no governo não têm ligação direta com os descontos indevidos do INSS.
Uma das linhas de apuração envolve a empresa World Cannabis, ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, que buscava oportunidades no mercado de medicamentos à base de canabidiol. Documentos analisados indicam que uma empresa de Roberta Luchsinger recebeu R$ 1,5 milhão de companhia ligada a Antunes, valor que a empresária atribui a serviços de consultoria. A PF investigará se o filho do presidente facilitou contatos da World Cannabis com a área da saúde.
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva reconheceu que Antunes pagou passagens e hospedagem em viagem a Portugal, realizada em 2024. Segundo a versão apresentada pela defesa, o objetivo era conhecer uma fábrica de produtos de cannabis medicinal. O advogado que representa o filho do presidente afirmou que a notícia da abertura do inquérito foi recebida com “estranheza, mas com tranquilidade”, sustentando que a investigação previdenciária não encontrou elementos contra seu cliente.


