O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou o bloqueio de até R$ 6,15 milhões em bens de um ex-presidente da Câmara. A medida decorre de investigação que aponta que o ex-deputado direcionou pelo menos 21 indicações de verbas, mesmo sem exercer mandato, com o aval de um chefe da Casa.
A decisão, assinada em 6 de julho, também suspendeu a execução de todas as despesas públicas ligadas às emendas sob suspeita. Segundo a Polícia Federal (PF), o ex-deputado negociou o envio de verbas com a servidora Mariângela Fialek, em um quadro de desvio de finalidade. A PF afirma que Fialek atuava como operadora de um esquema de desvio, contando com o aval do atual chefe da Casa para favorecer o ex-parlamentar.
O ministro Dino declarou que, conforme diálogos em aplicativos de mensagens e planilhas, o ex-deputado atuou como mandante do redirecionamento de valores públicos, especialmente em prol de sua campanha. A defesa do ex-presidente da Câmara negou ter exercido um “mandato clandestino” e afirmou que buscará acesso integral à ação para contestar as medidas.
A PF sustenta que o ex-deputado funcionava como um “parlamentar informal”, definindo quais municípios receberiam os recursos, sempre com a intermediação de Fialek. Os diálogos extraídos do celular da servidora mostram o interesse do ex-deputado em repasses para Minas Gerais, estado onde pretende concorrer à Câmara neste ano.

