O Super-El Niño alerta o estado do Rio de Janeiro para a ocorrência de extremos climáticos, com projeções de calor intenso em certas regiões e chuvas fortes em outras. Especialistas e prefeituras antecipam mobilizações de prevenção devido à variabilidade esperada do fenômeno.
O meteorologista Fabio Hochleitner, pesquisador do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (LAMCE) da Coppe UFRJ, explicou que as condições climáticas variam por região, considerando a geografia e a topografia local. No Norte e Noroeste, o cenário mais provável é o agravamento da aridez, com risco de ondas de calor, déficit hídrico e queimadas. Em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, a prefeitura acompanha as condições oceânicas, pois o município se localiza em área de transição climática.
Na Costa Verde e Região Serrana, o risco maior são as chuvas, que podem causar inundações e enxurradas. A prefeitura de Angra dos Reis, por exemplo, investe em prevenção, com obras de contenção que devem consumir R$ 300 milhões. O município possui 169 mil habitantes, sendo 60 mil residentes em áreas vulneráveis.
O governo do estado criou um Comitê Estadual de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño para coordenar ações de monitoramento e resposta. Na Região Serrana, Petrópolis informou ter adquirido um radar meteorológico, e Nova Friburgo garantiu que não registra mortes por eventos climáticos desde 2011. O especialista Leandro Torres Di Gregorio aconselha que as cidades trabalhem com os cenários mais agressivos já enfrentados.

