O avanço do fenômeno El Niño, tratado pelo mercado como um risco climático, ameaça a produção de commodities, a inflação e as decisões sobre a taxa Selic no Brasil. A agência de clima dos Estados Unidos aponta probabilidade de um El Niño muito forte entre novembro e janeiro, com força prevista até o inverno de 2026/27.
Especialistas de mercado indicam que o risco climático já é incorporado, mas de forma parcial, nas análises. Um ponto de atenção é o cenário-base que ainda projeta uma safra forte para 2026/27. Segundo um especialista em investimentos, uma quebra de cerca de 6% no volume projetado de soja poderia retirar 11 milhões de toneladas do mercado global, pressionando os preços internacionais.
O impacto direto se manifesta nas commodities, com menor oferta de soja e milho elevando custos na cadeia de alimentos. Um estudo de investimentos estima que o El Niño pode adicionar 0,16 ponto percentual ao IPCA de 2026. A pressão inicial recai sobre alimentos in natura, com repasse mais lento para proteínas.
A incerteza climática afeta a política monetária. Um evento negativo no segundo semestre de 2026 pode aumentar a persistência da inflação, limitando o espaço para novos cortes na taxa básica de juros. O câmbio também pode sofrer, com risco de menor entrada de dólares via exportações agrícolas.

