A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras entra em vigor nesta quarta-feira (22). Analistas de mercado, contudo, avaliam que o risco principal reside na eventual escalada da disputa comercial, e não no efeito inicial da medida.
O consenso entre gestores de mercado é que grande parte do impacto inicial já foi incorporada aos preços dos ativos desde o anúncio da tarifa. O desafio agora é medir a capacidade das empresas afetadas de absorver custos extras, renegociar contratos e manter a rentabilidade em um ambiente mais adverso. Valdir Piran Jr., CEO da Intra Asset, afirmou que a capacidade de repassar custos e redirecionar exportações ainda não foi totalmente precificada.
André Matos, CEO da MA7 Capital, comentou que o impacto concreto deve aparecer no caixa das exportadoras mais expostas. Ele destacou que o choque tende a ser localizado, pois cálculos do governo mostram que apenas cerca de 18% das exportações brasileiras aos EUA seriam afetadas, devido a exceções.
Cassio Viana de Jesus, diretor de Investimentos e Negócios da Pilar Capital, indicou que os reflexos sobre a balança comercial devem surgir entre agosto e setembro. Fábio Murad, sócio-fundador da Ipê Avaliações, alertou que o aumento da tensão comercial eleva a correlação entre risco político, câmbio e mercado acionário doméstico.

