Setores brasileiros, incluindo calçados, vestuário, máquinas e etanol, alertam para perda de competitividade após os Estados Unidos manterem a tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações nacionais. As entidades representativas defendem negociação bilateral para mitigar os riscos de queda nas vendas e impactos no emprego.
A decisão americana de aplicar a sobretaxa afetou segmentos que não foram incluídos nas exceções anunciadas pelo governo dos EUA. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) declarou que tais medidas elevam a insegurança no comércio internacional e reduzem a competitividade das empresas. O setor de calçados, por exemplo, espera que a tarifa cause uma redução de cerca de 7,1% nas exportações para os EUA até o final do ano.
A Abimaq, que representa fabricantes de máquinas, manifestou preocupação, visto que os EUA são o principal mercado para o setor, que registrou US$ 3,2 bilhões em exportações no ano passado. Já a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) apontou que, apesar de alguns produtos estarem isentos, a tarifa de 25% incide sobre celulose solúvel, papéis e painéis de madeira, segmentos competitivos.
O setor sucroenergético também criticou a imposição. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirmou que a política brasileira de etanol está em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). A entidade contestou a justificativa americana, dizendo que a redução das vendas americanas ao Brasil ocorre, sobretudo, pela expansão da produção nacional.

