A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) revisou a projeção de exportações para 2026 para baixo após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, incluindo calçados. A medida, tomada sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, aponta uma queda média de 7,1% nas exportações totais do setor no ano.
A nova estimativa da Abicalçados representa uma piora de 3,5 pontos percentuais em relação à previsão anterior, que já indicava retração de 3,6%. A entidade classificou a imposição como um retrocesso e manifestou preocupação com a competitividade do calçado brasileiro no mercado americano.
O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, declarou que os efeitos negativos ultrapassam o lado brasileiro. Ele afirmou que a tarifa adicional reduz a competitividade do calçado nacional nos Estados Unidos e inviabiliza operações que vinham sendo retomadas desde fevereiro deste ano. Ferreira comentou que a medida penaliza também importadores, marcas, varejistas e consumidores americanos.
A tarifa de 25% foi proposta em 1º de junho de 2026, após o USTR concluir a investigação da Seção 301 contra o Brasil, alegando práticas comerciais injustas. O documento do USTR listou temas como comércio digital e proteção à propriedade intelectual como alvos da apuração. A Abicalçados participou de audiência pública em Washington, onde apresentou argumentos sobre os impactos da tarifa.

