A decisão dos Estados Unidos de impor tarifa de 25% sobre produtos brasileiros gerou o debate mais equilibrado nas redes sociais entre direita e esquerda no ano, segundo o Instituto Democracia em Xeque. O monitoramento capturou 3.084 posts e 14,8 milhões de interações, revelando que os discursos se concentraram em dois eixos principais.
Os dados coletados pelo instituto mostram que 34% das publicações vieram da direita, 34% da esquerda e 32% da imprensa. A esquerda focou no eixo de “defesa da soberania”, enquanto a direita buscou um “culpado” pela taxação, imposta após investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Esses dois eixos somaram 49% das publicações analisadas.
O pico de mobilização ocorreu em 16 de julho, dia em que a lista final de isenções foi divulgada e houve troca de farpas públicas entre o chanceler brasileiro Mauro Vieira e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Na busca por um culpado, 44% das postagens da direita e 38% da esquerda apontaram o responsável.
Entre os argumentos da direita, circulou a ideia de que o presidente Lula teria provocado os EUA ao substituir negociação por ideologia, deixando o setor produtivo sem defesa. A esquerda, por sua vez, defendeu a soberania, criticando o governo americano de Donald Trump e acusando a família Bolsonaro e seus aliados de prejudicar o Brasil.

