A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros gera impactos em diversos setores da economia e afeta as cadeias globais de suprimentos. Segundo Paulo Rezende, diretor da Fundação Dom Cabral, a medida aumenta a imprevisibilidade para exportadores e operadores logísticos, afetando principalmente máquinas, calçados e bens manufaturados.
Os segmentos mais expostos incluem a indústria de transformação, com calçados e vestuário, e o agronegócio, que enfrenta sobretaxa em produtos como açúcar e sucos. Rezende explicou que o impacto não se limita a embarques futuros; contratos assinados antes da vigência da tarifa não possuem proteção, obrigando empresas brasileiras e compradores americanos a renegociarem preços, prazos e a divisão dos custos adicionais.
A situação é mais complexa para empresas que produzem bens sob encomenda, pois o desenvolvimento específico dos produtos impede o redirecionamento da produção para outros mercados. Além disso, o setor logístico sofre com a redução ou o adiamento de embarques, o que diminui a demanda por fretes e dificulta o planejamento de transportadoras e operadores portuários.
O especialista declarou que a principal dificuldade para o setor logístico é a incerteza, que compromete o planejamento de rotas e a alocação de frotas no longo prazo. Embora as empresas busquem novos destinos, a reorganização das cadeias de suprimento internacionais é um processo lento, pois os contratos de transporte são de longo prazo e a tarifa gera imprevisibilidade sobre o futuro.

