O tarifaço imposto pelos Estados Unidos gera um impacto fiscal duplo no Brasil, segundo estudo do IBEVAR – FIA Business School. A medida reduz a receita de exportação setorial e força o governo a aumentar a dívida para cobrir o rombo, elevando o endividamento para 83% do PIB em 2026.
O levantamento indica que a atividade industrial mais fraca diminui a arrecadação federal, enquanto o custo do socorro governamental soma bilhões em compromissos fiscais diretos. As duas frentes convergem para o aumento da dívida bruta, que deve passar de 78% para 83% do PIB neste ano, com projeção de 86% a 87% em 2027, sem sinais de estabilização.
O fenômeno é descrito como um efeito duplo: o tarifaço diminui a receita de exportação, e o governo responde com crédito subsidiado via BNDES para empresas afetadas. Esse socorro tem custo fiscal próprio, somando-se à queda de impostos. O custo fiscal direto do Fundo Garantidor de Exportações já atinge R$ 1,5 bilhão, somado a um pacote estimado entre R$ 187 bilhões e R$ 227 bilhões.
O estudo detalha um circuito de cinco etapas: a redução da receita de exportação, o socorro via crédito subsidiado, a queda da arrecadação líquida, a pressão sobre o déficit primário e, por fim, o aumento do prêmio de risco cobrado pelo mercado. Esse ciclo pressiona a conta de juros paga pelo país inteiro.

